A resolução do Banif explicada em três passos

O processo de resolução do Banif é complexo, e envolve operações em vários passos. O objetivo é explicá-los, pedindo-vos paciência para ler os desenhos e tolerância para algum lapso ou erro.

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O primeiro passo: é criado um veículo chamado Naviget (entretanto mudou o nome para Oitante), com o capital social de 50.000€, que pertence ao Fundo de Resolução. Para esse veículo passam um conjunto de ativos “menos bons” que estão registados no balanço do Banif por 2200 milhões de euros. A Comissão Europeia e o Banco de Portugal acreditam que estes ativos valham muito menos que isso, cerca de 746 milhões de euros. Então, a Oitante paga ao Banif 746 milhões. No banif fica um buraco, já que ativos que estavam registados por 2200M€ mas só receberam 746M€. Última questão: como é que a Oitante consegue ter dinheiro para pagar ao Banif? Não tem, por isso pede emprestado, emitindo obrigações. Estas obrigações são compradas pelo próprio Banif. Isto quer dizer que no futuro a Oitante terá de pagar essas obrigações, à medida que for ganhando dinheiro com a venda dos ativos. Se ganhar mais que os 746 milhões, então o lucro vai para o Estado. Por outro lado, se a Oitante falhar quem pagará é o Fundo de Resolução, e se o Fundo de Resolução falhar quem pagará é o Estado.

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Segundo passo: Aqui a coisa complica mais. Do Banif o Santander escolhe leva vários ativos e passivos. Entre eles estão os depósitos do Banif, empréstimos, títulos, agências, e também as obrigações emitidas pela Oitante. Não temos as contas certas, mas podemos presumir que seja um valor equivalente de ativos e passivos. Para além disso, o Santander fica também com 489 milhões entregues pelo Fundo de Resolução, acrescidos de 1766 milhões de euros entregues pelo Estado. Contas feitas, como resultado da intervenção do Estado, o Santander levou mais 801 milhões de euros, para além dos ativos e passivos escolhidos.

Por sua vez, o Santander paga 150 milhões ao Estado.

Falta referir que, nos ativos escolhidos, o Santander também leva 179 milhões em ativos por impostos diferidos. Podem vir a transformar-se em créditos sobre o Estado, o que quer dizer que ainda podem vir a anular os 150 milhões pagos pelo Santander.

No fim sobra o Banif, banco mau, que ficou com ‘os restos’. Os ativos que ninguém quer e que não têm valor, e, o passivo, os acionistas e credores subordinados que dificilmente irão reaver o seu dinheiro.

 

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p.s. perdoem o diminuto tamanho das imagens. Terei de aprender a fazer isto melhor…