ES Bank (Panama): dever ao GES para emprestar ao GES

SBP-Bank-Panama-SA-FotoCortesia_MEDIMA20140717_0208_23

ES Bank Panamá (ver localização no grupo aqui). O banco foi estabelecido em 2001, e começou a operar em Março de 2002. O Panamá é um dos paraísos fiscais mais favoráveis à actividade bancária. Para além do grande leque de isenções fiscais que atribui às empresas que aí se estabelecem, tem uma legislação que protege fortemente o segredo bancário .

A par da ESFIL (Luxemburgo), o ES bank Panamá era um dos mais importantes veículos de financiamento do GES, ou seja, da ESI, da ES Resources e outras holdings do grupo. No ETRICC (referente a Setembro de 2013), o ES Panamá era credor da ESI em 446 milhões de euros e da ES Resources em 97 milhões.

Estes eram os maiores devedores do ES Bank Panamá à data da intervenção das autoridades do país, em 17 de julho de 2014.

O banco está desde agosto em liquidação e publicou a lista dos seus maiores devedores. Em primeiro lugar, as entidades do GES (ESI, ES Resources e Rioforte) e o Arsenal Group Ltd, numa carteira de dívida de 947 milhões de dólares (cerca de 830 milhões de Euros, à cotação actual).

Há igualmente referência a quatro devedores privados, responsáveis por uma dívida de cerca de 4.1 milhões de dólares. Vale a pena ver quem são:

Continuar a ler

Anúncios

Agora sim, o “esquema” das obrigações

obrigações esquema

Até 22 de janeiro de 2014 as emissões de obrigações do BES eram colocadas no BES Vida, como explicado no post anterior. A partir do dia 29 de Janeiro, por desconforto do BES Vida, as obrigações passam a ser colocadas num fundo, gerido pela ESAF, chamado ES Fixed Income.

O esquema circular era em tudo parecido aquele já explicado. O BES, através das suas sucursais no Luxemburgo, em Londres ou nas ilhas Caimão, emitia obrigações que vendia à ES Fixed Income (muitas vezes acima do valor de mercado). Para facilitar o exemplo, assumimos que essa venda é feita por 100€.

Continuar a ler

Por que se fala tanto nas obrigações?

esq obrigações

Foi este o esquema que precipitou a queda do BES ao gerar a necessidade de registar uma provisão de perdas potenciais de 1.250 milhões de Euros, não contemplados na almofada de capital que, um mês antes da intervenção no banco, todos declaravam suficiente.

Continuar a ler

BES: esquemas com offshores e ligações à Eurofin no início da década

Euroifin

Em 2002 a PriceWaterhouseCoopers (PwC), auditora do BES, enviou várias cartas ao banco, no sentido de esclarecer dúvidas levantadas pela análise das contas de 2001*.

A primeira prendia-se, imagine-se, com a exposição do BES ao GES (em particular à ESI) que era, em 2001, de 855 milhões de euros. Em 2000, esta exposição tinha atingido os 1169 milhões de euros) .

A segunda dizia respeito a 673,3 milhões de euros de créditos concedidos pelo BES a empresas offshore. As quatro mais importantes:

  • Gaunlet Holdings Limited – propriedade de Karl Sanne
  • Relcove Finance Limited – propriedade de John Barby, representado por Karl Sanne
  • Allord Overseas Limited – propriedade de um antigo membro do governo de Marcelo Caetano exilado no Brasil
  • Freybell Corp – propriedade de um adm. não executivo do BES (desconhecido)

Estas entidades usavam os créditos do BES para comprar ações do próprio BES, da PT, da Espírito Santo Resources (parte não financeira do grupo) e da ESI. Segundo a PwC, estes empréstimos pareciam estar fora do normal sistema de controlo do banco, e eram suportados por pouca documentação e garantias, tendo em conta o risco das operações.  Continuar a ler

O que é a Eurofin?

Vai ser muito falado hoje no debate com Morais Pires, administrador executivo do BES.

Eurofin – empresa suíça criada há 15 anos, sobretudo para fazer transações financeiras para a família Espírito Santo e as suas empresas. Foi fundada por Alexander Cadosh, ligado ao GES, ao qual pertenceu também, durante alguns anos, a própria Eurofin. Foi utilizada pelo BES no esquema de colocação de obrigações do ramo não-financeiro aos seus clientes bancários que gerou perdas estimadas pela administração de Vitor Bento em cerca de 1.250 milhões de euros. Mais aqui

O presidente da Eurofin é um misterioso homem chamado Alexandre Cadocsh. Saiu hoje um trabalho sobre ele na Visão, disponível aqui.