E quem comprou obrigações do GES?

papel comercial

cópia de uma ficha de produto (papel comercial da ESI) com clara referência à garantia de capital e juros gentilmente cedida por um antigo cliente.

A atuação do Banco de Portugal que culminou na decisão de separação entre BES/Novo Banco visou (sem discutir aqui a sua eficácia) isolar o BES – os depositantes e clientes de retalho – dos riscos emergentes do ramo não-financeiro do Grupo Espírito Santo.

Para cumprir esse objetivo impôs ao banco a constituição de uma provisão de 700 milhões de Euros nas contas de 2013. Uma reserva de valor para compensar os clientes a quem tinha sido vendido – nos balcões do banco – títulos de dívida (papel comercial) das empresas do grupo.

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BES: Operações de liquidez, colateral, e haircut

Para quem estiver a assistir à audição de Vitor Bento, pequenas traduções:

Os bancos privados podem recorrer a empréstimos do BCE ou do Banco de Portugal para obter “liquidez”, ou seja, o dinheiro necessário para as responsabilidades que vão vencendo. Para recorrer a estes empréstimos, os bancos devem apresentar ‘colateral‘, ou seja, uma garantia ‘real’, que normalmente constitui a forma de obrigações (direito de crédito sobre outra instituição) de baixo risco, como por exemplo, títulos de dívida soberana. As regras para recorrer às linhas do BCE ou do BdP são diferentes. Nos empréstimos do BCE a qualidade exigida para esse colateral é superior à dos empréstimos concedidos pelo BdP (neste caso é possível dar como colateral, por exemplo, empréstimos à habitação ou a empresas não financeiras que tenham sido concedidos pelo banco – também eles um direito de crédito sobre outro). Continuar a ler

BES Angola: o elefante que ninguém quis ver

Fundado em 2002, o BES Angola rapidamente ascendeu a um lugar cimeiro entre os bancos angolanos, com a sua atividade a registar taxas de crescimento difíceis de conceber, mesmo para uma economia em forte crescimento como a angolana.

Olhando para os relatórios do BESA, verificamos que o balanço do banco cresceu mais de 40 vezes entre 2004 e 2013, de 263.9 para 11.341 milhões de dólares, o que corresponde a um crescimento médio de 52% ao ano. Entre 2007 e 2008, por exemplo, a atividade do banco cresceu 6 vezes.

Este crescimento foi, em larga medida, financiado pelo Banco Espírito Santo, aparentemente sem levantar dúvidas ao supervisor português. Continuar a ler

Citação

“O interesse demonstrado por diversas entidades em assumirem uma posição de referência no BES indicia que é realizável uma solução privada para reforçar o capital. No limite, se necessário, está disponível a linha de recapitalização pública criada no âmbito do Programa de Assistência Económica e Financeira,  que poderá ser utilizada para suportar qualquer necessidade de capital de um banco português, no enquadramento legal relevante e em aplicação das regras de ajuda estatal. Em todo o caso, a solvência do BES e a segurança dos fundos confiados ao banco estão asseguradas». Comunicado do Banco de Portugal, 28 julho 2014

Citação

O regulador «não antecipa um impacto relevante na posição de capital do BES resultante da situação financeira da subsidiária BESA”. O Banco de Portugal “espera que a situação desta filial seja clarificada no curto prazo e sem impacto material no BES». Esclarecimento do Banco de Portugal, 25 julho 2014.

Citação

«A situação de solvabilidade do BES foi significativamente reforçada com o recente aumento de capital, o que deverá permitir absorver eventuais impactos negativos que resultem da materialização de riscos no ramo não financeiro do Grupo Espírito Santo” (GES), do qual o BES é o principal ativo. (…)  Atendendo ao plano apresentado pelo BES, considera-se que este banco possui mecanismos adequados para fazer face a um evento extremo, o que permitirá dar cumprimento aos níveis de solvabilidade exigidos, sem pôr em causa a continuidade da sua atividade e o seu papel de agente financiador da economia». Esclarecimento do Banco de Portugal, 25 julho 2014.

Citação

«As interações preliminares entre o BES e bancos de investimento internacionais, assim como o interesse demonstrado por diversas entidades fundos de investimentoe bancos europeus) em assumir uma posição de referência no BES, indiciam que uma solução privada para reforçar o capital pode ser possível». Carlos Costa na audição parlamentar, 18 julho 2014.