Rácios mínimos de capital

racio capital

Já vimos com mais e menos detalhe como é composto o balanço de um banco, podemos agora tentar perceber a forma de medir a solvabilidade de um banco e as regras prudenciais a este nível.

A solvabilidade é, genericamente, a medida da capacidade de um banco financiar o seu ativo com o seu capital (em vez do passivo). Ou seja, mede a independência de um banco face ao financiamento de entidades externas como o banco central ou os depositantes, entre outros.

É no fundo uma medida da solidez do banco, da sua capacidade de resistir a alturas de crise em que se registam prejuízos decorrentes de perdas nos investimentos feitos ou no crédito concedido.

Há 3 medidas de solvabilidade vigiadas pelo supervisor:

Common Equity Tier 1 – literalmente o capital comum de primeiro nível. Representa o capital de melhor qualidade, no sentido em que é o que melhor responde às perdas do banco por não ter associado nenhum dever de reembolso nem de rendimento (como acontece com as obrigações). É, na prática, constituído pelo valor subscrito em ações, os resultados de anos anteriores que o banco não distribuiu aos acionistas e o resultado líquido do exercício anterior.

Em Portugal os bancos são obrigados a manter um rácio de capital Common Equity Tier 1 (ou CET1) de 7%. Ou seja, têm de manter um montante CET 1 superior a 7% dos seus ativos ponderados pelo risco (os tais RWAs ou Risk-Weighted Assets).

Capital Tier 1, que para além dos anteriores pode incluir ações preferências ou CoCos, instrumentos usados pelo Estado para recapitalizar o banco no início de 2013. Esta parcela de capital deverá ser superior a 8,5% dos RWA.

Capital Total – que inclui a anterior categoria mais obrigações que cumpram determinados requisitos fixados por lei, entre os quais estão a subordinação perante outros credores em caos de liquidação ou resolução. Ou seja, os detentores destas obrigações só serão pagos – numa destas situações de insolvência – depois de serem ressarcidos os restantes credores. O capital total deverá ser superior a 10,5% dos RWA.

Refira-se que a diretiva que introduziu estes rácios impunha valores menos exigentes, que aumentariam gradualmente até 2019, com a introdução da chamada almofada (ou reserva) de capital. Esta reserva foi, por determinação do Banco de Portugal, introduzida na íntegra em 2016 como forma de aumentar a resiliência do sistema financeiro português (equivale a mais 2,5% em cada rácio).

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s