O Estado e o BES – alguns exemplos

Os negócios dos Espírito Santo com o Estado têm talvez a sua expressão mais gritante na intermediação do negócio dos submarinos, que rendeu 30 milhões de euros ao Grupo, entretanto repartidos pelos membros do Conselho Superior, entre outros. Mas este é apenas o caso mais conhecido.

A revista Exame escrevia, no final de 2011, o seguinte acerca das Parcerias Público-Privadas: “cinco grupos e agrupamentos de empresas conseguiram ficar com cerca de 80% dos encargos líquidos totais do Estado nestes cerca de 36 contratos”. A repartição é a seguinte:

Captura de ecrã 2015-03-12, às 17.05.47

A números da altura, cabiam ao BES/GES receitas de 4737 milhões de euros, 1225 milhões já pagos à data (3512 milhões em falta), distribuídos pelos seguintes contratos:

Concessões Rodoviárias:

  • Ascendi Beiras Litoral e Alta (173 km)
  • Ascendi Costa de Prata (110 km)
  • Ascendi Douro interior (242 km)
  • Ascendi Grande Lisboa (23 km)
  • Ascendi Grande Porto (56 km)
  • Ascendi Norte (173 km)
  • Ascendi Pinhal Interior (520 km)
  • Lusoponte (Ponte 25 de Abril e Ponte vasco da Gama)
  • SCUTVIAS (178 km)
  • Vialitoral (44 km)

Transportes:

  • Metro Transportes do Sul (o Metro Sul do Tejo)

Saúde

  • Hospital de Loures

Mas a relação económica entre o BES/GES e o Estado não se ficou pelas PPP. Há os negócios que facilitou, em que participou, muitos dos quais não conhecemos. E ainda os que conhecemos – os mais óbvios ligados às privatizações. Uma rápida visita à página do BESI, o banco de investimento do grupo, mostra as dezenas de transações ligadas ao estado ou a entidades públicas na montagem e participação de operações de financiamento, na assessoria financeira e nas maiores operações de privatização ocorridas em Portugal nas últimas três décadas.

A imagem a seguir resulta de uma pesquisa – não muito exaustiva – de aquilo a que gíria da banca de investimentos chama tombstones (literalmente), pedras tumulares. Parecem prémios ou certificados, e representam muitas centenas de milhares de euros conseguidos em operações financeiras de venda de bens e serviços do Estado:

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One thought on “O Estado e o BES – alguns exemplos

  1. Olá Mariana. Li com cuidado a pequena pesquisa que fez. Efectivamente não foi exaustiva, e até foi um pouco limitada. Se pesquisar com mais algum tempo encontrará uma relação directa entre as construtoras que os bancos que as financiam. Perceberá claramente que nas PPP’s por exemplo de estradas, os mesmos consórcios ganharam estradas que estavam perto de outras em que já estavam a trabalhar; que é normal que a Mota-Engil seja financiada sempre por um determinado Banco e a Soares da Costa por outro. Que mais de 80% das PPP’s de estradas (refiro-me a estas devido à enumeração que fez no seu post) realizadas em Portugal já estavam mais que condenadas a terem prejuízos considerando que ao realizar o CPC para o Estado, os estudos de tráfego eram escolhidos a dedo por forma a que CPC desse um resultado acima da realização da obra via PPP; que as negociações em fase BAFO são uma vergonha conforme comprovam cerca de 3 relatórios finais em que as propostas apresentadas na fase final são superiores à 1ª fase do concurso. Mariana, poderia estar aqui um dia inteiro e mencionar coisas inerentes a esta problemática. Mas deixarei que a Mariana descubra por si nas diversas pesquisas que faz, sei que tem capacidade para isso e muito mais, e fico mesmo muito feliz por ver alguém da área econômica sentada na comissão de inquérito do BES, porque realmente, pessoas com formação em relações internacionais ou geologia debaterem questões económicas, é uma vergonha para o país.

    Continue o Bom Trabalho.
    Cumprimentos,

    Gostar

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