Rioforte: a empresa que nasceu da dívida (e uma explicação do tal passivo da ESI)

ESI

As audições realizadas permitem ter uma ideia do que era a Espírito Santo International (ESI), a holding de topo da pirâmide do Grupo Espírito de onde dependiam os ramos financeiro e não financeiro.

Esse conhecimento é importante porque é da descoberta do endividamento escondido da ESI e dos receios de contágio ao BES e seus clientes que nasce a intervenção do Banco de Portugal, ainda no final de 2013 que culminou com a resolução anunciada em Agosto de 2014.

As audições mostram que já desde os anos 90 que a ESI apresentava problemas financeiros resultantes de investimentos avultados no crescimento de um grupo que se estendia da América do Sul ao Oriente, do negócio agropecuário ao imobiliário. Negócios, às vezes ruinosos (também na área financeira), que muitas vezes não geravam os resultados necessários para pagar os investimentos feitos. No geral, os recursos vinham do crédito tornado acessível pelo nome Espírito Santo e pela existência de um banco na família.

Na década seguinte a situação continuou a agravar-se, sobretudo na ES Resources, a sociedade com sede nas Bahamas que agregava as participações em empresas não financeiras do GES. Para tentar resolver o problema foi criada, em 2009, uma nova ES Resources, com sede no Luxemburgo. Para esta nova holding foram transferidos as empresas boas. Na anterior, a ES Resources Bahamas, ficaram as endividadas.  O objetivo?  Que a limpeza permitisse à ES Resources Luxemburgo ir ao mercado conseguir investidores externos e, com essas receitas, pagar a dívida que tinha ficado nas Bahamas. Mas depressa perceberam que isso não seria possível, em parte por causa da crise financeira, em parte, provavelmente, por causa da ‘fama’ da ES Resources. Foi então que a ES Resources Luxemburgo passou a chamar-se Rioforte. A ideia mantinha-se: vender a Rioforte a investidores privados e, com esse dinheiro, pagar a dívida do grupo. Mas o objetivo nunca foi cumprido: a Rioforte não foi vendida, e a ES Resources Bahamas continuou a acumular dívida e, com ela, juros.

É este aumento incontrolável da dívida que leva, pela primeira vez, em 2008, à ocultação de passivo na ESI, e também à recusa, por parte de Ricardo Salgado em ‘consolidar’ as contas, ou seja, elaborar um balanço que agregasse todas as empresas e holdings (ou SGPS) detidas pela ESI, entre elas a Rioforte e a ES Resources Bahamas.

É no âmbito do ETRICC que esta dívida escondida ao longo dos anos – os mais de 1.300 milhões de Euros – é finalmente revelada. E com esta revelação é desencadeada uma auditoria às contas da ESI que mostra que o Grupo Espírito Santo estava praticamente falido e com um passivo que ascendia a 8.900 milhões de Euros no final de 2013.

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