Anatomia do Grupo Espírito Santo: uma tentativa

Capturar III

Não será, com toda a certeza, o mais estilizado ou completo retrato da composição do Grupo Espírito Santo, mas serve o propósito. E o propósito é tentar descodificar a complexa estrutura do GES e isolar os ramos financeiro e não financeiro, tantas vezes referidos.

No topo da estrutura estava a Espírito Santo Control (ESC). Esta sociedade era diretamente controlada pelos 5 membros do Conselho Superior e detinha a maioria do capital da Espírito Santo International (ESI), a sociedade que juntava a família aos investidores privados.

Tanto a ESC como a ESI tinham sede no Luxemburgo, e nenhuma era auditada por uma empresa externa, apenas por um ‘Commissaire aux comptes’. Segundo a lei luxemburguesa, uma pessoa ‘independente’ com poderes de supervisão e controlo das contas, mas que não emite pareceres sobre a sua veracidade. No caso da ESI esta função era desempenhada por Francisco Machado da Cruz, o ‘contabilista‘ que Ricardo Salgado acusou de ser culpado das fraudes nas contas da ESI e que fugiu para o Brasil. Por coincidência, Machado da Cruz pertencia também ao conselho fiscal do BESA e à administração da Rio Forte Investments, pelo menos.

O passo seguinte é mais complexo, até porque mudou várias vezes ao logo do tempo. Mas segundo o que foi possível apurar, e sem prejuízo de podermos atualizar esta informação, a ESI detinha 100% da RioForte, a sociedade que geria os investimentos do grupo, também com sede no Luxemburgo. E era a RioForte que, depois, se subdividia em dois ramos que, apesar de ambos controlados pela ESI, tinham participações cruzadas entre si:

O ramo não financeiro, controlado pela Espírito Santo Resources (ESR), que, para complicar a história, mudou entretanto o nome para RioForte Investments SA.

Debaixo da Espírito Santo Resources/ RioForte Investments estavam todas as empresas que associamos ao ramo não financeiro, e mais umas largas centenas de que nunca ouvimos falar: os hospitais, as viagens, os hotéis, as construtoras, as concessionárias de PPPs, as empresas industriais, agrícolas e petrolíferas, com negócios do Panamá a Angola, passando pelo Brasil.

O ramo financeiro, primeiro através da Espírito Santo Irmãos, com sede em Portugal;

Debaixo da Espírito Santo Irmãos estava o grupo financeiro, concentrado na Espírito Santo Financial Group (ESFG), com sede no Luxemburgo. Aqui estava a Espírito Santo Financial (ESF), com sede em Portugal, que tinha uma participação (cerca de 70%) na BESPAR*, a sociedade que controlava o BES. O BES, por sua vez, controlava uma série de bancos, como o BESA, e BES cabo Verde, o BES África, o BEST, e por aí fora.

A Espírito Santo Financial tinha ainda uma grande participação no grupo das várias seguradoras, concentrado da sociedade PARTRAN (onde estava a Tranquilidade). O resto pertencia à ESFG, já referida acima. Ainda sob a ESFG estava o ES Panamá, o ES Dubai, o BES Vénétie e mais um sem fim de bancos e fundos.

Para breve (espera-se), um (mais) estilizado e (mais) completo retrato da composição do Grupo Espírito Santo.

*BESPAR era a sociedade que juntava a ESFG e o Crédit Agricole, com o propósito de controlar o BES.

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2 thoughts on “Anatomia do Grupo Espírito Santo: uma tentativa

  1. Além do nítido interesse público continue o seu trabalho com afinco e eficiência:; politicamente compensa bem, atendendo aos elogios que tenho ouvido/lido a quem nunca esperei ver dizer bem da esquerda caviar.Bom Ano 2015.

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